
Barroso se diz não punitivista, mas critica impunidade em colarinho branco
O ministro Luís Roberto Barroso está no meio de uma saga de entrevistas e palestras para mostrar o que pensa além dos autos. Nesta quarta-feira (29/11), ao participar da XXIII Conferência Nacional da Advocacia, o integrante do Supremo Tribunal Federal foi responsável pela palestra mais concorrida do evento, com todos os lugares preenchidos e muitas pessoas sentadas no chão ou assistindo em pé.
As emissoras de televisão estavam todas presentes, e pouco tempo depois os telejornais já transmitiam trechos da fala do ministro.
Após uma série de discursos no qual criticou a falta de punição para os crimes de colarinho branco, Barroso vem tentando ponderar essa postura.
Nesta quarta, declarou que não é punitivista e que o Brasil não irá ter conserto por meio do Direito Penal. Mas reforçou seu ponto de que a lei precisa passar a punir quem ganha mais que cinco salários mínimos, o que segundo ele não acontece hoje.
A ver pelo entusiasmo da plateia —formada majoritariamente por advogados —, a classe parece apoiá-lo. Seu discurso era agraciado a todo momento com salvas de palmas ao final recebeu assovios entusiasmados.
Uma frase parece ser o mantra de Barroso, que vem a repetindo em eventos: “A Justiça pune menino negro pobre com 100 gramas de maconha, mas não pune corrupto que desviou R$ 10 milhões”. Sempre que ele diz a plateia vai ao delírio.
O presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Claudio Lamachia, chegou no meio do discurso do ministro para compor a mesa.
O ministro já participa de sessão na tarde desta quarta no Supremo, por isso teve de deixar a mesa de debate logo após falar. Mas sua retirada não foi assim tão simples. Boa parte da plateia ignorou que o debate prosseguia e se aglomerou para tirar selfie com o ministro ainda em cima do palco. Paciente, Barroso passou minutos atendendo a todos.
Leia abaixo falas de Barroso aplaudidas pelo público:
Ninguém deve ser preso por ser rico ou pobre.”
Não se muda o mundo com Direito Penal.”
O brasileiro tem medo de violência e corrupção, mas a maioria dos presos não cumpre pena por esses fatores, mas, sim, por questões relacionadas a drogas.”
O poder não serve para perseguir inimigos e ajudar amigos.”
Não existe missão pequena ou grande, existe missão mal cumprida.”
Fonte: conjur


